terça-feira, 24 de novembro de 2015

4 anos depois...

Revendo hoje algumas memórias no facebook, bem lá no início da minha "linha do tempo", encontrei algumas coisas da época do meu intercâmbio para a Rússia, em 2011. Mensagens de amigos com saudades, mensagens dos novos amigos que eu tinha acabado de fazer e também os posts do blog que criei para compartilhar minha experiência. Vim parar aqui, reli tudo e com um sorriso no rosto só pude pensar: que bosta! Haha. É sério. Se essa viagem fosse hoje, com certeza, tudo por aqui (ou pelo menos quase tudo) estaria escrito diferente, de uma forma diferente. Com muito mais informação útil. Tem coisas que li e pensei: "Qual a necessidade disso?". 

Por outro lado, foi engraçado e bom ao mesmo tempo recordar alguns momentos. Uma das mensagens que também vi pelo face foi de minha mãe dizendo que tem coisas na vida que só se faz nessa idade, justamente se referindo ao intercâmbio e a oportunidade de viver a experiência única que eu estava tendo. Diante de tantas memórias posso dizer algumas coisas sobre tudo. Primeiro, eu mudei muito, no sentido de crescer e amadurecer. Porém sou menos corajosa ou mais pé no chão, depende do ponto de vista. Se a lição é que devemos aproveitar todas as oportunidades - e eu me recordo de ter ido fazer o intercâmbio porque não tinha nada a perder-, hoje eu não faria o mesmo com a minha vida do jeito que está. Simplesmente porque, na minha cabeça, tenho coisas a perder. Talvez também tenha alguma relação com a idade e as cobranças da sociedade. São os anos passando e cada vez mais essa necessidade de nos estabilizarmos na vida. Hoje, infelizmente, as novas experiências e todo o aprendizado deixam de ser a tônica da situação. Então, mais uma vez minha mãe sempre esteve certa. Tem coisas que só se faz nessa idade. Não que eu tenha perdido o interesse por viagens. Pelo contrário, ele sempre só aumenta. Mas naquela época meus pais “bancaram” o intercâmbio. Hoje, preciso juntar meu próprio dinheiro se quiser ter experiências assim.


Depois, com relação ao próprio intercâmbio, ainda observo até hoje em minha vida reflexos do aprendizado que adquiri. Não levando em consideração todo o cunho social de se fazer um intercâmbio voluntário em que pude realizar atividades culturais e educacionais na Rússia, acredito que uma das coisas mais marcantes que desenvolvi foi a capacidade de gostar e aproveitar a minha própria companhia. Apesar de ser algo já de minha própria personalidade, o fato de apreciar muito o silêncio e a "solidão". Mas foi algo que, independente de mim, porém devido a todas as circunstâncias, trabalhei muito ao longo da viagem. Hoje, sei o valor que tem poder vivenciar momentos em que você pode estar apenas com você mesmo, o quanto isso é especial e o como você precisa se amar o suficiente a ponto de estar totalmente satisfeito com isso. Eu vejo ao meu redor pessoas que não conseguem sequer almoçar sozinhos, ficar um pouco em casa sozinhos. Mas qual o problema nisso? Eu passei a gostar ainda mais depois de passar três dias sozinha em uma cabine de trem entre Moscou e Krasnoyarsk (se não sabe a história leia meu primeiro post no blog, rs). 


Além disso, com relação ao próprio blog, como já disse, hoje vejo muita inutilidade em algumas das coisas que escrevi e observo o quanto estou crítica em relação a textos. Não me refiro aqui aos pequenos errinhos de digitação, que fiz questão de não corrigir quando os avistei posteriormente, mas ao conteúdo mesmo. Os poucos anos de experiência trabalhando com jornalismo, especificamente assessoria de imprensa, e tendo que fazer leituras diárias e escrever sobre diversos temas, também me trouxeram mais convicção para dizer: eu não sabia nada ainda. De nada. Da vida ou de qualquer coisa e, também, sobre escrever coisas com um propósito. Eu tinha acabado de fazer 18 anos - não que isso seja um motivo. Não significa também que agora, quatro anos depois, eu seja um poço de sabedoria e muito vivida e experiente. Mas eu me considerava invencível por passar dois meses morando em um país sozinha. Quando vejo que isso não era nada perto da difícil missão de adquirir meu apartamento próprio (cá estou também me fazendo as mesmas cobranças da sociedade). 


Resolvi escrever isso tudo para mostrar, a mim mesma até, que há quatro anos eu não sabia onde eu estaria agora e nem de que forma, com quais pensamentos, quais sonhos e ambições. Eu não imaginava que tudo fosse estar como está hoje. Mas, por uma grata surpresa, é talvez ainda melhor do que pude pensar. Também estou contente em perceber algumas mudanças em mim mesma. Espero que, quatro anos depois, eu possa voltar a ler esse texto e os demais anteriores, dê risada novamente e pense que foi bom ter percorrido exatamente o caminho que percorri para estar onde estou, porque foram essas experiências, o crescimento e até os erros e bobagens cometidas, que fazem de mim quem sou. Uma pessoa formada e movida a memórias, mesmo sofrendo constantes mudanças ao longo dessa história sempre em construção. Vamos em frente! 


PS: sempre gostei de PS e isso continua.

PS2: não que agora eu escreva bem o bastante pois talvez daqui a 4 anos eu olhe e também não goste do que foi escrito aqui.

Beijos.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Pacá Rússia!

Era dia 09 de agosto, tudo pronto, rumo ao aeroporto de Krasnoyarsk. Max, Carlos, Marsha e Andina. Uma despedida com algumas lágrimas e o coração tão apertado que me faltou a respiração por alguns seguntos. Abraços fortes, promessas de reencontro, agradecimentos sem fim... Fui.

Chego em Moscou e agora? Ligo pra Kate da aiesec local que me diz: Procura saber como pegar o Aeroexpress, vem pra estação que a gente vai te buscar lá. Chego na estação e conheço meu anjo naquela cidade, a Anna e junto à ela, Olga. Anna me leva até o escritório da aiesec, onde eu passaria minha primeira noite. Acordo sozinha e com o meu chip de Krasnoyarsk sem funcionar. O que fazer? Precisava falar com a Andina, a gente precisava combinar o que fazer naqueles dois dias. Eu precisava tomar um banho, mas era impossível fazer isso onde eu estava. Além do mais, precisávamos conhecer a cidade. Saí às 08:00 da manhã sozinha em Moscou, percorrendo o caminho de volta à estação e torçendo pra não me perder. Finalmente encontro um lugar onde vendem chips e compro um novo! Me senti tão poderosa... Fui lá sozinha e comprei sozinha sem saber falar russo e ainda encontrei o caminho de volta, haha.

Dia feio, frio, chuvoso e sem companhia. O que me obrigou a perder o meu primeiro dia em Moscou. Às 08:00 pm o santo Rafael e a santa Anna resolveram me ajudar e me levaram de mudança pra casa de uma família da Indonésia onde a Andina estava hospedada. O que falar das próximas horas em Moscou a partir daqui? Foram as melhores do mundo. Se tem uma coisa que eu posso falar com toda certeza que foi como ganhar na loteria em Moscou, foi ter conhecido aquela família. Quão amavéis, preocupados e prestativos. Descansei bastante pro próximo dia e logo cedo saímos. Primeiro destino, claro, Red Square.



Muitas fotos, uma caminhada agradabilíssima. Em seguida, compras de souvenirs (a parte que sempre deixava eu e a Andina loucas), depois compra de chocolates e enfim, casa descansar um pouco antes dos meu vôos.
Fui pro aeroporto e o vôo que deveria sair as 6:45 saiu às 8:45 o que fez com que eu perdesse meu vôo Istambul - São Paulo e o que acrescentou mais 12 horas na minha jornada, pois precisei ir pra Londres e esperar mais 7 horas no aeroporto até pegar outro vôo pra São Paulo. Era isso suficiente? Não. Eles esqueceram de por minhas malas no vôo. Então chego em São Paulo e descubro que minha bagagem ainda estava em Londres. Ok, tudo bem, porque 5 horas depois eu estava no aeroporto de Manaus sendo recebida com o choro do meu pai e um sorriso que não cabia no rosto de minha mãe e nada mais podia me deixar triste naqueke momento, a não ser a saudade que já começava a despertar. E aqui em Manaus, tudo no seu devido lugar. Parecia que faziam uns 3 dias que eu tinha deixado tudo aqui.

Agora fecho os olhos e posso lembrar de tudo o que aconteceu. De cada pessoa que conheci, de cada riso, cada lágrima, cada conversa jogada fora, de cada aprendizado, de cada lugar, de tudo que me acrescentou algo e que de aguma formar tirou algo de mim, pois foi como disse no aeroporto de Krasnoyarsk: Estou indo agora e deixando uma parte de mim aqui.

E parte de tudo isso, além das pessoas que já agradeci no post anterior, eu devo ao MELHOR EP MANAGER DO MUNDO, Edynaldo Bittar. Ele que me ajudou muito e que esteve todos os momentos preocupado com tudo e que principalmente e o mais difícil de tudo, aguentou minha mãe ligando todo santo dia desesperada por notícias minhas. E por isso, ainda que eu quisesse te pagar por tudo eu nunca conseguiria zerar toda a minha dívida com você. Obrigada Edy e perdão por não ter te citado no post anterior, mas esse aqui é especial pra você! :)

Enfim, aprendi muito muito mesmo com tudo o que vivi. Aprendi que ainda existe gente boa no mundo, que faz as coisas por você e não espera nada em troca. Gente que fez por mim, sem mesmo me conhecer, o que eu não faria por um desconhecido. Gente de todo lugar do mundo com os mesmos anseios, de descobrir coisas novas, conhecer coisas novas, viver experiências novas. Gente que não precisa de mais de uma semana pra você levar pra sempre no seu coração e na memória.

Ah Rússia, tenha certeza de que você fez de mim uma pessoa muito mais preparada pra vida! And for sure, I'll be back someday! :) E claro, visitarei também a Colômbia (Carlos, Tania, Camilo), Indonésia (Andina, Lintang), México (Zeltzin), Itália (Marco), China (Kangkang), Paquistão (Usman), Gana (Sampson), Inglaterra (Caroline) e será um prazer imenso encontrar todos mais uma vez!


Spasiba... Pacá!


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Priviet!

Está chegando ao fim, só mais 8 dias. E esse ainda não é o post de retrospectiva, mas sim um post pra falar sobre algo que com toda certeza fez da minha viagem ainda mais inesquecível, o Sputnik Camp e também para agradecer muitas pessoas!

Pois bem, foi nesse lugar lindo, cheio de ar puro e natureza, com um nome estranho e pessoas que me olhavam com curiosidade na minha chegada que conheci pessoas que vão ficar pra sempre na minha memória.
Carlos - Colômbia, Andina - Indonésia, Nikita - Rússia.
Então meu obrigado à eles que por tantas vezes me fizeram sorrir, que compartilharam suas histórias comigo, que passaram madrugadas acordados conversando bobagens, aprendo sobre cada país, sobre os costumes, rindo da lingua nativa do outro, indo todo dia juntos pra cantina, pras atividades. Ou seja, obrigada por tudo gente, vocês fizaram desse acampamento uma das minhas melhores lembranças dessa viagem.

E sobre o acampamento o que dizer daquele lugar? Tudo tão natural, tão bonito. A trilha de caminhada, tão cheia de ar puro que como dizia o Carlos "A primeira vez que andei por aqui quase me sufoquei com tanto oxigênio" haha. Mas de verdade, um lugar pra relaxar e se encantar.

Continuando minha sessão agradecimentos. Quero registrar aqui meu eterno agradecimento à Kate Rubis, minha primeira host aqui e que me tratou sempre tão bem! Então Kate, foi incrível passar os meus primeiros dias com você e obrigada por ter me dado asinhas (me ensinar à andar de ônibus sozinha, haha). Depois, quero agradecer à Alyna que me recebeu por uma noite em sua casa e à Polina que viveu comigo e outros trainees naquele flat antes de minha ida ao camp, o que por sinal foi muito divertido. Agradecer também à Ekaterina, Rita e Gosha que também, mesmo que por apenas dois dias, me fizeram sentir em casa... quanto amor recebi naquele lugar! E por fim, agradecer muitíssimo ao Max, que desde o meu primeiro dia é um anjo, não só pra mim, mas pra todos os outros trainees. Sempre preocupado com nossa comodidade, nossos problemas... com absolutamento TUDO. Então Max, você realmente merece esse agradecimento especial. Agradecer também à todos os outros trainees que viveram comigo essa expêriencia, que passaram pelas mesmas dificuldades que eu, às vezes menos intensas ou mais, mas que sofreram, aprenderam e amaram isso tudo aqui tanto quanto eu. E eu não imaginava dizer isso depois de tanto sentir saudade de casa e da minha família, mas agora já estou começando a ficar com saudades daqui. Tá acabando e eu quero levar todos esses em minha bagagem.

Bom, agora só me restam poucas coisas para fazer por aqui e em poucos dias. Passear, torrar o resto do meu dinheiro, ir à Moscou e dizer Bye Bye Rússia. E quer saber? Eu vou voltar sim! Pois foi nesse lugar que aprendi a controlar meu dinheiro, a morar com pessoas que não conheço, a estar em um lugar em que ninguém fala minha língua, a ir sozinha à lugares em que nunca estive antes, a conviver com as diferenças, a comer comidas que não gosto, a não ter conforto o tempo inteiro, a não depender de meus pais pra tudo, a estar disposta a conhecer coisas novas, pessoas novas, línguas novas, lugares novos. Aprendi que posso fazer tudo na minha vida sozinha e que sou forte o suficiente para passar por situações as quais nunca imaginei passar e por fim, que tudo que os meus pais me ensinaram ao longo de todos esses anos de vida foram úteis em todos os momentos, como a educação, o respeito, a empatia e todas as outras coisas que fazem de mim o que sou hoje. Obrigada à vocês também Fátima e José, por me apoiarem em todas as minhas escolhas, como esta, de estar tão longe de vocês.

Fica aqui também o agadecimento à AIESEC Manaus por estar me proporcionando esta experiência tão valiosa e à Marina por ter sido o meu primeiro passo ao longo desse caminho. E sim, eu desejo que muitas outras pessoas tenham a oportunidade de viver tudo o que estou passando, pois sem dúvida alguma, foi e está sendo absolutamente incrível.

PS: Prometo no próximo post algo menos meloso e com mais informação, até porque vou contar sobre minha estadia em Moscou, mas eu realmente precisava agradecer à todas essas pessoas.

PS2: Falei com dois brasileiros aqui nos últimos dias e foi um alívio... PORTUGUÊS, miss u. haha

Pacá!



segunda-feira, 11 de julho de 2011

Priviet Brasiiiil!

Lá se foi mais uma semana e mais um fim de semana suuper legal e lá se vai também o meu camp que acaba amanhã. O que farei depois? Boa pergunta! Também me pergunto isso até agora e ando perguntando o mesmo para as pessoas daqui e ninguém sabe me dizer com clareza, o que pra falar a verdade me deixou chateada esse dias, maaaas, deixando isso de lado...

Enfim, o que fiz nesses ultimos dias?
Conheci o maior shopping daqui, o tal Planheta. Pois bem, é o maior e ainda assim não é grande! Eu e Zina andamos pouco mais de 30 minutos e já tinhamos conhecido tudo. Um detalhe que merece ser lembrado, entramos na loja da Adidas, se não me falhe a memória, e qual o som ambiente do local? Bonde do Tigrão! ok, vou repetir: Levanta a mãozinha na palma da mão, é o BONDE DO TIGRÃO. Eu tava na quinta série e estudava no CEST quando esse grupo era 'famoso'! Vai dizer que você nunca dançou o martela, martela, martela o martelão... tá bom, parei. Mas foi engraçado :)
E como uma boa cabocla do meio da Floresta Amazônica que come farinha com Tambaqui assado, tirei foto da praça de alimentação porque achei tão cut cut!
Uma mistura de praia, playground e pessoas estranhas.
Pois bem, agora também gostaria de por um momento fazer um pouquinho de inveja aos meus amigos da facul, aspiras à jornalistas como eu. Estive na TV local daqui (e no dia que eu aprender o nome da TV eu conto pra vocês). Foi tuuudo nessa minha vida. Visitei os estúdios da TV e da rádio, assisti a gravação da escalada do jornal, conheci o William Bonner de Krasnoyarsk e foi tudo lindo! Então esta parte merece mais de uma foto e lá vai...

Priviiiiet ouvintes de Krasnoyarsk!

Nós e o Bonner. Talvez um pouco mais jovem e bonito que o próprio...

Assistindo a gravação da escalada com o Diretor de TV.
Só não tenho mais fotos e com mais qualidade porque a maioria estão na câmera humilde e profissional do Misha e ele ainda não nos enviou, mas que foi tudo muito lindo e legal, foi.

Na última sexta teve um evento pra promoçao da AIESEC aqui, lá no english school café e foi o melhor que já participei até agora. Muita gente presente, muitos jogos legais, work shop de danças latinas e foi realmente muito produtivo e divertido. E depois disso, eu minha host Kate, a Nika e as amigas das meninas saímos, fomos pra um clube que era o próprio Porão do Alemão de Krasnoyarsk. Eu como grande admiradora daquele local 'mara' que é o porão... imagine minha animação na festa também -.-
E no sábado teve minha Welcome Party e da Andyna (não sei como se escreve, sorry), a garota da Indonésia e foi muito legal, toda a AIESEC aqui na casa da Kate e a melhor coisa da noite foi um negócio muito gostoso que comi que me lembrou as esfirras do Habib's. Era tipo um pãozinho com carne dentro, esqueci o nome, mas pirei pra aquilo. Quero levar muitos pra casa!!! hahah #gordaforever
No domingo fomos dormir na casa da amiga da Kate, a Dasha, para uma 'Noite de Fazer Pizzas'. Então imagine o quanto engordei esse fim de semana agitado...
Enfim, essa parte do post foi só pra lembrar o quanto eu amo comer e o quanto eu vou precisar de uma academia urgente quando voltar... cof cof.

E é amanhã, acaba o meu projeto. A maioria dos treinees vão se separar, cada um pra um Camp diferente... Foi ótimo conhecer um pouquinho mais sobre cada país que esteve junto comigo nesse programa, quero visitar todos. Ghana, Mexico, Italy. Uhuuu, fomos nozes! :)

E o que vai ser de mim daqui pra frente? Não seeei, mas espero crescer mais e mais. Só essa saudade de casa que está me matando aos poucos.

Pacá!

domingo, 3 de julho de 2011

Desafios constantes

Todos os dias quando acordo e vou falar com minha família pelo skype às 09:00 aqui e as 21:00 no Brasil eu me pergunto: Será esse mais um dia ou menos um dia? A resposta é: Depende do ponto de vista. Porque cada dia pra mim aqui é mais um dia de um novo desafio, novas descobertas, assim como cada dia aqui é mais um dia longe de casa. Da mesma forma que cada dia aqui é menos um dia na cidade e um dia mais perto de voltar pra casa... O que talvez vá me deixar com saudades, saudades desses desafios constantes. Estão me entendendo? Ok, deixa pra lá... vamos ao que interessa!

Pra começo de conversa, aqui são 23:40 e tirei essa foto anteontem às 22:50 da noite (mas hoje tava igualzinho) e vou mostrar pra vocês como estava lá fora:

É sério, tirei essa foto nesse horário, não foi de manhã! :S
Pra um lugar incomum assim as coisas também não podem ser comuns, certo? Estava fazendo uma listinha de coisas estranhas que vi por aqui desde que cheguei e lá vai:
  • Existem carros na cidade em que o motorista pode dirigir do lado esquerdo, mas também existem carros em que ele dirige do lado direito. Não tem uma unanimidade... Você vê de tudo aqui nas ruas.
  • As máquinas de lavar roupa ficam nos banheiros das casas, casas não, flats. Porque a coisa mais RARA do mundo é você descobrir que alguém que você conhece mora em uma das pouquíssimas casas da cidade.
  • Nô ônibus o cobrador não fica sentadinho num lugar e você passa por ele e paga, quando você entra no ônibus ele vem até você pra receber.
  • E aqui TODAS as paradas de ônibus tem nomes. A que fica aqui perto de onde moro se chama Lunacharskogo. Facinho né?
  • A temperatura também é simplesmente maluca. Um dia passamos a tarde inteira no maior calor, uns 30 graus e dai entramos num café, quando saímos tinha acabado de chover, então estava uns 18 graus. Assim como hoje, olhei pela janela, um solzinho bonitinho... vesti meu shortinho branco e quando saí do prédio, ooops, não tava nem um pouco quente.
  • As pessoas comem batata no café da manhã. E a minha host achou quase um absurdo eu fritar ovo e depois jogar queijo pra derreter junto.
  • No Brasil eu prefiro Bob's à Mc, mas de qualquer forma Mc é fast food, ou seja, quando você não tem o que comer ou não sabe o que comer é a melhor opção. Me disseram que na Rússia Mc é muito barato, MAAAS lá vai: Em Krasnoyarsk NÃO tem Mc. Morri.
Bom, tirando isso... Vou contar outra coisa pra deixar vocês bem orgulhosos!
Anteontem fui sozinha pro meu camp, repito, SOZINHA. A minha host tinha alguma outra coisa pra fazer e me deixou em casa sozinha. Então me arrumei, respirei fundo e... Saí do prédio, fui pra parada esperar o ônibus 68. Na parada alguém cortou o meu barato de me sentir uma verdadeira russa e veio me perguntar algo, tive que soltar a frase que mais tenho dito aqui: I'm sorry, I don't speak Russian! Pois bem, peguei meu ônibus, paguei a passagem e até entendi quando o cobrador me pediu licença (iupii). Atravessei a cidade. Meu ponto de referência era o Shopping "Planheta" (Não sei como se escreve, mas é assim que se fala), então quando o avistei, contei três paradas e desci! Na mosca :) Deu tudo certo! Edynaldo não tava confiando muito no meu dia D, ele disse que era o dia D me perder. Não foi! Ruuum. hahah

E sabe a sensação de estar todo os dias se superando, vencendo seus medos, suas limitações?! Tenho me sentindo assim todos os dias da última semana. Pois hoje também voltei pra casa sozinha. É tão incrível! :)

Também tenho matado a minha vontade de comer coisas que gosto! Anteontem comi pizza na tal da California Pizza! Não é como as pizzas que eu gosto de comer no Brasil, mas aliviou bem a minha abstinência a comidas que eu conheço e realmente gosto. Hoje comi hot dog, também não tava lá essas coisas. E... o melhor de todos, tchan tchan nan nan... Fui no supermercado e o Max me mostrou o que seria leite condensado, comprei nesquick de chocolate e? Brigadeeeiro! Ainda não provei, tá na geladeira, maas se depender só da vontade que eu estou de comer isso, até não estando bom, vai estar bom! Entenderam? hahah

Hoje também fui ao Parque de Diversões, a Disneyland de Krasnoyarsk (cof cof) e tive uma das maiores decepções da minha vida, eu explico. Estou na Rússia, ok? E a minha vida inteira chamei aquele negócio em que você entra num trenzinho e dá várias voltas loucamente de: Montanha RUSSA, certo? Então pensem comigo, eu estava em um parque de diversões com muitas atrações, na RÚSSIA e imaginei, nooossa a montanha russa aqui deve ser DEMAAAIS, não demorou muito e eis que ouço a frase mais impactante dos últimos dias: O que é Montanha Russa? Ahhh, aqui nos chamamos isso de Montanha AMERICANA! I don't believe it! Todos 'chora'. Fomos enganados a vida inteira, caro leitores.

E foi nesse parque de diversão que conhecemos uma louca, louca mesmo, que é apaixonada por pessoas de países diferentes que nos tratou como verdadeiras celebridades, como disse Zina (a mexicana): Me senti Angelina Jolie...
Saca só a empolgação dela por tirar uma foto com a gente... (É a de blusa preta no meio de nós, o da ponta é outro louco, o namorado dela.)
É, cada coisa que você só encontra aqui. E como vocês podem observar na foto também, hoje se juntaram mais duas pessoinhas a nós. A primeira da esquerda pra direita é da Inglaterra e a segunda é da Indonésia! Eita que o grupo tá ficando mais diversificado! Adooooro :)

Preciso fazer outro comentário, a menina da Indonésia tem uma máquina polaróide (é esse nome?) que tira aquelas fotos instantâneas... morri! Quero uma também, olha a foto que ela me deu *-*


Todo mundo de biquinho =*
Enfim, meus caros, ainda teve boatos de que eu estava na pior, se isso é estar na pior... POOORRAAAN, o que quer dizer tá bem né? hahah


Pacá! (Tchau em Russo viu coleguinhas? E viu mãe, eu tô aprendendo tudo... cof cof)


terça-feira, 28 de junho de 2011

"Here I go!"

Foi o que pensei enquanto segurava o choro me despendindo da mamis no aeroporto. Assim que entro na sala de embarque recebo um telefonema dela e penso: Mas já!? Ainda nem deu tempo de sentir saudade... Ela só não sabia onde tinha colocado o ticket do estacionamento.

Pois bem, 4 horas até São Paulo, 12 horas até Istambul, 3 horas até Moscou. Ufaaa, agora vai ficar tudo bem! Pego minhas coisitas e... Cadê o Rustam? Espero mais 6 horas, ok, repito, 6 horas por ele.
Simplesmente adorável e prestativo ele me levou até a estação do trem, e até lá, passamos por várias estações do metrô e o que são aquelas estações? liiiiiindas. Não tirei foto, estava cansada, sem cabeça pra isso, mas quando voltar pra Moscou no final da viagem é a primeira coisa da minha listinha.
Então, estação do trem, compramos meu ticket, uns 6000 rublos, algo como 340 reais (muito caro pro que ainda estava por vir).

O Rustam me deixou exatamente na minha cabine, me disse onde era o banheiro e se foi :/

Sintam o clima, mais apertado impossível.
Lóóóógico que a minha cama era a de cima pra deixar tudo mais agradável. Subir e descer aquilo era terrível. E assim se passaram 3 dias. Se eu fiz alguma coisa durante a viagem? HA-HA. O meu notebook era a única coisa que poderia me salvar ali. Ele estava descarregado, a tomada é diferente das daqui e não tinha encontrado um adaptador pra comprar (agora graças à linda da Uliya, minha buddy, eu tenho um). Então sim, meus amigos, foram 3 dias sem fazer nada!

No primerio dia de viagem tinha um chato na mesma cabine que eu que tentou o tempo inteiro fazer comunicação e tudo que eu queria era dormir. A única coisa que ele fez de bom foi: achar a pessoa que salvaria minha estadia naquele trem. Um rapaz qua falava Russo, Inglês e mais 3 línguas. Pra você ver o quanto ele queria se comunicar! Ele fez esse rapaz de nosso tradutor por algumas vezes, já que o rapaz não passou muito tempo conosco, pois além de falar 5 línguas, ser loiro de olhos verdes, super gente boa... ele estava com sua namorada também linda e francesa no trem :) Então o chato se foi! Mas o rapaz continuou me ajudando com as traduções, de vez em quando passava pela minha cabine, perguntava se estava tudo ok, enfim, passei um dia inteiro sozinha na minha cabine até que me aparece outra colega de quarto. Mas eu já estava prestes a chegar em meu destino final: Krasnoyarsk.

E enfiiiiiiiiiim, CHEGUEI! Eis que me aparecem Max e Uliya na estação com bandeiras do Brasil, tudo muito lindo... E eu pirenta, sem tomar banho todos esses dias, AAAH, eu não tinha contado esse pequeno detalhe, certo? Então, vou repetir com mais ênfase, passei mais de 72 horas sem banho, usava apenas aqueles lençinhos umidecidos e porque tive a brilhante idéia de guardar os que me deram durante o vôo até Istambul, ou seja, banho de gato total.
Mas acreditem, tô viva, tô bem, a nhaca não tomou conta de mim e eu tomei o melhor banho da minha vida quando cheguei aqui!

Achei que essa minha experiência no trem merecia esse post tão grande... que já me tirou todas as forças de falar um pouco mais sobra como está sendo minha estadia aqui na cidade, mas eu precisava dividir isso... precisava dizer que: EU REALMENTE SOU UMA PESSOA DESTEMIDA, UMA MULHER DE FIBRA E MEREÇO APLAUSOS. Sério, minha mãe me mandou um email e disse: Bia, que viagem! Tô orgulhosa de você e eu?! Chorei de tanta emoção! Sei que depois disso posso fazer qualquer coisa na minha vida, SOZINHA! :)

Mas resumindo, hoje é o meu primeiro dia inteiro aqui em Krasnoyarsk e foi MUITO legal. Conheci o centro da cidade, que é lindo por sinal, me lembrou MUITO Gramado, no RS. Conheci também a 'Siberian Federal University' porque minha host estuda lá e aaah UFAM, um dia você chega lá. Tivemos reunião da AIESEC pra discutir sobre o nosso summer camp então encontrei com mais pessoas daqui e também uma mexicaca, um italiano, um francês, outro brasileiro da Bahia, enfim, foi muito bacana!

Não parece Gramado?

Depois eu volto com mais historinhas pra contar... haha!

PS: Obrigada pra quem leu até o final, porque tá realmente muito grande, fiquei com preguiça até de revisar.

PS 2: Aqui alguns ônibus tem ar condicionado e eles funcionam! Não é incrível?