terça-feira, 24 de novembro de 2015

4 anos depois...

Revendo hoje algumas memórias no facebook, bem lá no início da minha "linha do tempo", encontrei algumas coisas da época do meu intercâmbio para a Rússia, em 2011. Mensagens de amigos com saudades, mensagens dos novos amigos que eu tinha acabado de fazer e também os posts do blog que criei para compartilhar minha experiência. Vim parar aqui, reli tudo e com um sorriso no rosto só pude pensar: que bosta! Haha. É sério. Se essa viagem fosse hoje, com certeza, tudo por aqui (ou pelo menos quase tudo) estaria escrito diferente, de uma forma diferente. Com muito mais informação útil. Tem coisas que li e pensei: "Qual a necessidade disso?". 

Por outro lado, foi engraçado e bom ao mesmo tempo recordar alguns momentos. Uma das mensagens que também vi pelo face foi de minha mãe dizendo que tem coisas na vida que só se faz nessa idade, justamente se referindo ao intercâmbio e a oportunidade de viver a experiência única que eu estava tendo. Diante de tantas memórias posso dizer algumas coisas sobre tudo. Primeiro, eu mudei muito, no sentido de crescer e amadurecer. Porém sou menos corajosa ou mais pé no chão, depende do ponto de vista. Se a lição é que devemos aproveitar todas as oportunidades - e eu me recordo de ter ido fazer o intercâmbio porque não tinha nada a perder-, hoje eu não faria o mesmo com a minha vida do jeito que está. Simplesmente porque, na minha cabeça, tenho coisas a perder. Talvez também tenha alguma relação com a idade e as cobranças da sociedade. São os anos passando e cada vez mais essa necessidade de nos estabilizarmos na vida. Hoje, infelizmente, as novas experiências e todo o aprendizado deixam de ser a tônica da situação. Então, mais uma vez minha mãe sempre esteve certa. Tem coisas que só se faz nessa idade. Não que eu tenha perdido o interesse por viagens. Pelo contrário, ele sempre só aumenta. Mas naquela época meus pais “bancaram” o intercâmbio. Hoje, preciso juntar meu próprio dinheiro se quiser ter experiências assim.


Depois, com relação ao próprio intercâmbio, ainda observo até hoje em minha vida reflexos do aprendizado que adquiri. Não levando em consideração todo o cunho social de se fazer um intercâmbio voluntário em que pude realizar atividades culturais e educacionais na Rússia, acredito que uma das coisas mais marcantes que desenvolvi foi a capacidade de gostar e aproveitar a minha própria companhia. Apesar de ser algo já de minha própria personalidade, o fato de apreciar muito o silêncio e a "solidão". Mas foi algo que, independente de mim, porém devido a todas as circunstâncias, trabalhei muito ao longo da viagem. Hoje, sei o valor que tem poder vivenciar momentos em que você pode estar apenas com você mesmo, o quanto isso é especial e o como você precisa se amar o suficiente a ponto de estar totalmente satisfeito com isso. Eu vejo ao meu redor pessoas que não conseguem sequer almoçar sozinhos, ficar um pouco em casa sozinhos. Mas qual o problema nisso? Eu passei a gostar ainda mais depois de passar três dias sozinha em uma cabine de trem entre Moscou e Krasnoyarsk (se não sabe a história leia meu primeiro post no blog, rs). 


Além disso, com relação ao próprio blog, como já disse, hoje vejo muita inutilidade em algumas das coisas que escrevi e observo o quanto estou crítica em relação a textos. Não me refiro aqui aos pequenos errinhos de digitação, que fiz questão de não corrigir quando os avistei posteriormente, mas ao conteúdo mesmo. Os poucos anos de experiência trabalhando com jornalismo, especificamente assessoria de imprensa, e tendo que fazer leituras diárias e escrever sobre diversos temas, também me trouxeram mais convicção para dizer: eu não sabia nada ainda. De nada. Da vida ou de qualquer coisa e, também, sobre escrever coisas com um propósito. Eu tinha acabado de fazer 18 anos - não que isso seja um motivo. Não significa também que agora, quatro anos depois, eu seja um poço de sabedoria e muito vivida e experiente. Mas eu me considerava invencível por passar dois meses morando em um país sozinha. Quando vejo que isso não era nada perto da difícil missão de adquirir meu apartamento próprio (cá estou também me fazendo as mesmas cobranças da sociedade). 


Resolvi escrever isso tudo para mostrar, a mim mesma até, que há quatro anos eu não sabia onde eu estaria agora e nem de que forma, com quais pensamentos, quais sonhos e ambições. Eu não imaginava que tudo fosse estar como está hoje. Mas, por uma grata surpresa, é talvez ainda melhor do que pude pensar. Também estou contente em perceber algumas mudanças em mim mesma. Espero que, quatro anos depois, eu possa voltar a ler esse texto e os demais anteriores, dê risada novamente e pense que foi bom ter percorrido exatamente o caminho que percorri para estar onde estou, porque foram essas experiências, o crescimento e até os erros e bobagens cometidas, que fazem de mim quem sou. Uma pessoa formada e movida a memórias, mesmo sofrendo constantes mudanças ao longo dessa história sempre em construção. Vamos em frente! 


PS: sempre gostei de PS e isso continua.

PS2: não que agora eu escreva bem o bastante pois talvez daqui a 4 anos eu olhe e também não goste do que foi escrito aqui.

Beijos.